domingo, 28 de fevereiro de 2016

A sombra da serpente

 Olá!
 Hoje falarei do último livro da trilogia de Rick Riordan baseada na mitologia egípcia, A Sombra da Serpente.
  Aqui a sociedade secreta de magos que protege o mundo do sobrenatural está finalmente reunida mas prestes a se quebrar. Os que nasceram com dons mágicos olham com desconfiança para aqueles que o obtiveram pelo treinamento árduo e vice versa. Aumentando o drama, os recém-despertados deuses do Egito Antigo, que deveriam auxiliá-los, tramam golpes para aproveitar o caos vigente para tomarem o poder e toda a energia dessa animosidade alimenta, literalmente, a Serpente do Caos Apófis, a entidade cósmica que a milênios deseja devorar a Terra.
       Os irmãos Kane, Sadie e Carter, precisam reunificar todos em definitivo afim de deter a ameaça maior que aparenta ser invencível.  Para isso, reuem seus discípulos na busca da arma suprema contra Apófis ( talvez contra qualquer divindade). Mas, para isso,  correrão o risco de despertar um poder tão terrível contra o próprio Apófis.
       Na mitologia egípcia os deuses Seth e Horus duelavam constantemente pelo controle do Egito. Seth mostrando que sua força e crueldade eram necessário para manter os demônios como Apófis longe enquanto Hórus  usava sua inteligência para superar as proezas de Seth. Saber equilibrar o lado selvagem com intelectual é um dos grandes desafios para conseguir harmonizar humanos e deuses.
         Mas o desafio é ainda mais profundo, pois Apófis não deixar de ser um divindade com influência cósmica. Em todas as mitologias o papel da serpente sempre foi ambíguo. No Egito existem serpentes tanto guardiãs de tesouros como demoníacas. Na mitologia grega a serpente Píton vivia tentando devorar a mãe do deus Apolo, mas o local de morte da cobra passou a emanar o poder de prever o futuro usado pelos seguidores do próprio Apolo. Assim,  o próprio Apósfis tem seu papel no equilíbrio cósmico e saber como usar o poder da arma suprema para criar um novo equilíbrio é o passo final para reunificar céus e terra literalmente nesta aventura.

Primeiro livro: A pirâmide vermelha
Segundo Livro:  O trono de fogo

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sugestões de quadrinhos brasileiros recentes

Olá! Aproveitando os resquícios das discussões sobre quadrinho nacional da última semana, vou falar de algumas obras recentes cuja qualidade de arte e roteiro me impressionaram. Na minha opinião, para algo sair do mediano,  a obra deve ter uma arte que reflita a história, clara de se entender e com alguns quadros que deem vontade ampliar pra virar poster. Já o roteiro tem que ter coerência interna, mostrar parte da evolução dos personagens com o mínimo de uma boa reviravolta a cada 4 página. Eis abaixo minha leituras recentes que cumpriram esses requisitos:

Capa mostrando Nemo e o Capitão do Holandês Voador
As Aventuras do Capitão Nemo - Navio Fantasma: de Lillo Parra e Will, é uma espécie de continuação de "20000 légua submarinas" , livro de Jules Verne também adaptado em quadrinhos pelos autores. Aqui o Capitão Nemo se depara com os restos do lendário navio Holandês Voador, precisando evitar que seu submarino tenha o mesmo destino e evitar que o medo do navio lendário apenas piore tudo. Coincidência ou não o nome da editora é Nemo.

O senhor das histórias:  de Wellington Srbek e Will, inspirado na mitologia africana , aqui temos a busca pela origem das histórias e de como fazer com que estas se mantenham fixas dentro da mente das pessoas, o segredo para a história ficar, literalmente, inesquecível.  Também pela editora Nemo.


Vírus- mais um na multidão: essa foi uma grande surpresa pois li achando que teríamos mais um mangá de zumbis! Fiquei bem feliz por estar enganado! Aqui não temos zumbis mas uma lenda urbana de terror clássica cuja forma que é apresentada nos faz refletir o quão superficial estamos levando nossas vida. E uma aula de como um pequeno toque de gore pode causa mais pavor e tensão
que muito que abusa do sangue de mentira. Arte e roteiro por Thiago Spyked , pela editora Crás.


Capa de Anjos da Mata, colocado on-line pela Crás
Anjos da Mata : por Wilson Kohama. Existem dois tipos de sentimentos que fábulas ecológicas me despertam: o pavor de ser mais um discurso beirando conversão religiosa e a esperança de uma aventura com belas lições como quando eu via Capitão Planeta. Anjos da Mata concretizou o segundo. Um encontro de moradores da cidade e do campo que se unem contra uma onda de desmatamento ilegal. Cada um dos 4 adolescentes que protagonizam o enredo tem sua personalidade que precisam aprender a controlar para elaborar estratégias de combate contra os vilões. Mais que os punhos, o cérebro é a principal arma nas lutas do mangá . Pela editora Crás.


Diário de um super: por Erik Peleias, o estilo solto quase infantil é perfeito para retratar a criança que tenta de todas as formas ser um super-herói num mundo onde todas adquirem facilmente poderes. Aqui vemos piadas com todos os clichês clássicos de super-heróis e a história acaba virando uma pequena reflexão de como se sair bem em um mercado saturado. Exclusivo do Social Comix, é inspirada na HQ sem falas do mesmo autor, "Eu Super", igualmente recomendada.

Capa da minha edição
Combo Rangers - Somos Humanos: O problema de se criar uma continuação é como manter o equilíbrio entre evitar ser apenas uma repetição da história anterior mas, ao mesmo tempo, ter um grau de inovação que não atropele tudo o que já foi dito. Essa conquista é realizada por Fábio Yabu e Michel Borges. Aqui os Combo Rangers são celebridades apenas por derrotar a invasão alienígena da última edição, gerando tanto ondas de ódio quanto de idolatria por eles na cidade. como evitar que a fama suba a cabeça? Como evitar transformar uma luta numa mera demonstração de egos que pode arruinar tudo? A ideia de que os piores vilões e os maiores heróis estão dentro de nós, aquilo que nos torna humanos , e de como lidar com isso, são a base de história que continua tendo easter eggs a cada página para os leitores atentos, fazendo com que a revista possa também ser vista como um "onde está Wally" só que com os elementos da cultura nerd escondidos em cada página.

A última Bailarina : de Guilherme de Souza pela editora Corja, uma das melhores comédias politicamente incorretas que já! Um urso de pelúcia rabugento, um unicórnio sem noção e uma bailarina de 7 anos formam o trio que busca sobreviver durante um apocalipse zumbi!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Lovecraft

     H. P Lovecraft é um dos maiores criadores de diversos elementos de fantasia que vemos hoje, autor proeminente do gênero denominado "horror cósmico". Mais do que morto-vivos assombrando casas ou serial killers escondidos, temos o pânico gerado pela dissolução da própria estrutura da realidade.
Biografia de Lovecraft pela editora Hedra 
    Minha descoberta do autor se deu quando, anos atrás, joguei o game point e click para PC denominando "Prisioneiros do gelo", em você comandava o único sobrevivente de um submarino da segunda guerra mundial perdido numa série de conspirações de um grupo de nazistas que desejam obter a magia negra dos "Grandes ancestrais", seres multidimensionais além da compreensão humana.

     Tentáculos saindo de portais dimensionais (aqueles que aparecem em metade das histórias de super heróis e cuja representação cinematográfica que mais me empolgou foi no filme do Hellboy ), deuses de raças pré-humanas (Conan na veia!), cérebros vivos de cientistas loucos em jarros( clássico!), obras de arte que enlouquecem seus admiradores(agora percebo como Os Caça fantasmas beberam muitos das histórias do cara), tudo isso ganhou sua forma atual pelas mãos de Lovecraft, o qual buscava um meio de sair do tradicional horror sobrenatural para criar algo de acordo com
a nova época que vivia, algo que mostrasse como a ciência tateia as beiradas da própria realidade. Assim  surgem os Mitos de Cthulhu.
     Em diversas revistas e livros fui obtendo contos e pedaços da biografia do escritor, até finalmente entra em contato com "A vida de H. P. Lovecraft", uma biografia escrita por S. T. Toshi e lançada no Brasil pela editora Hedra.
      Lá muitas"lendas"criadas sobre o escritor foram desfeitas e uma realidade tão bizarra quanto seus livros me foi revelada.
     Nascido em 1890, herdeiro de uma família ultraconservadora e outrora milionária na cidade interiorana de Providence, nos EUA,  a falência da mesma fez com que o ainda pequeno Lovecraft tivesse que encarar a dura realidade tendo como auxilio e maldição a dupla face de seu legado: de um lado o conhecimento incrível adquiro pelo auto-didatismo na biblioteca do avô ,do outro os inúmeros vícios aristocráticos (beirando ao patológico) que quase o destruíram.
Capa do box DVD 
    Inicialmente tentando escrever com bases nos clássicos da antiguidade, sua maturidade intelectual levou-o a deixar de ser um repetidor, mas o fascínio pela história e pela tecnologia cresceram. Primeiro conhecendo os resto dos EUA após morte da mãe, depois tendo um contato aprofundado com a rede de revistas de fantasia amadora( onde conheceu sua esposa e a a maioria dos amigos) em Nova York, posteriormente voltando para Providence e partindo para excursões com seus amigos para as construções coloniais abandonadas no melhor estilo "Os Gonnies", Lovecraft foi adquirido experiências que culminaram nas diversas fases de sua obra que tiveram seu apogeu nos Mithos de Cthulhu.
    O mais famoso conto dele é justamente "O chamado de Cthulhu", onde a investigação de um assassinato leva a uma seita que reverencia uma entidade capaz de distorcer as próprias leis da geometria. Outros falam das  civilização não-humanoides que habitam o planeta, como em "Nas montanhas da loucura". Outros ainda focando em outras divindades bizarras semelhantes ao Cthulhu, como em "O Horror de Dunwich" . Uma mitologia artificial que começou a ficar cada vez mais coesa a medida que outros escritores da época ficaram fascinados por sua obra e passaram  a trocar correspondência com ele, criando cada um suas próprias histórias nesse emergente universo compartilhado inclusive por Conan, o Bárbaro!
       Muitos comentam de traços ditos xenofóbicos de sua obra, mas na verdade são coerentes com a mentalidade da época (qualquer coisa de 50 anos atrás vai parecer racista comparada com os textos de hoje em dia. Nós evoluímos muito desde aqueles tempos!).
Meu box aberto com um pouco da arte interna
       Assim, para quem quer saber mais de sua vida essa biografia é bem completa, mostrando as inspirações para cada obra, seus trabalhos que quase ficaram esquecidos como Ghost Writer, seus conflitos com o conservadorismo aristocrático da família e  muitos detalhes sobre os EUA do início do século 20.
      Já para quem quer uma adaptação mais direta de suas obras no Brasil há um box de DVDs denominado" Lovecraft No Cinema" da Versátil Filmes, apresentando 3 filmes com seus making offs e um documentário. Primeiro temos o "Re-animator", baseado em contos seriados com traços de comédia onde o tema dos mortos-vivos ganha um caráter de ciência macabra. O segundo filme, "Do Além", mostra a tentativa de ampliar a percepção da mente humana para outras realidades tendo resultados bizarros. Já "A beira da loucura" é uma filme de livremente baseado na obra de Lovecraft como um todo, com um agente de seguros tentando localizar um escritor de terror desaparecido cujas obras enlouquecem os leitores. Por fim o documentário "Lovecraft: medo do desconhecido" mostra o depoimento de diversos autores como Guilherme Del Toro e Neil Gaiman que compartilham como a obra de Lovecraft impactou seus trabalhos.
        Compartilhem como foi o contato de vocês com a obra de Lovecraf!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Ferro, Água e Escuridão

Olá! Hoje chegamos no volume 3 de Legado Folclórico!
 Primeiramente temos Anderson Coelha tendo sua vida social realmente transformada após os eventos dos últimos livros, assim como toda a cidade de Rastelinho, sob controle da empresa do vilão Wagner Rios, o grande destaque do livro.

       De sua infância a adolescência traumáticas passando aos conflitos mal resolvidos da fase adultas, temos sua história toda exposta como um grande quebra cabeças a ser montado pelo herói a fim de impedir seu mais monstruosos e épico plano.
       Agora se passando no nordeste brasileiro, às margens do Rio São Francisco,a história mostra a Organização indo lá resgatar uma cidade inteira escravizada, onde mora uma sociedade secreta de cangaceiros!
       Para enfrentar tantos desafios Anderson terá uma série inesperada de mentores situados no limite entre o nosso mundo e  o Mundos dos Olhos Fechados, de onde magia elemental assim com das trevas fluem para nossa realidade, necessitando aprender a usar o melhor das duas realidades para lutar.
          Entender que nossos adversários muitas vezes não  tem capacidade de ver o mal que fazem e se recusam a refletir sobre o mesmo. Aprender a usar diplomacia em momentos de tensão, Controlar nossas trevas interiores que podem ser o real combustível de nossos inimigos. Saber que que cada família sobrevive usando formas diferentes para lidar com todos os elementos físicos e sociais ao seu redor. Eis os pontos de destaque do lado emocional da história.
         Assim, temos o legado folclórico (nos 2 sentidos) expandido para um canto do país que é a origem da maior parte da mão de obra de São Paulo assim como de vários escritos consagrados do Brasil.