domingo, 24 de agosto de 2014

Fios de Prata- Reconstruindo Sandman


    O reino dos sonhos é um dos lugares mais incríveis e enigmáticos para se visitar numa aventura. Afinal, em um lugar onde as fantasias e medos de todos os seres humanos se materializa as possibilidades são infinitas. Neste reino se passa a grande aventura : "Fios de Prata - Reconstruindo Sandman", de Raphael Draccon.
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            E quem mais pra protagonizar um livro sobre a imaginação humana que o jogador de futebol Allejo?
            No livro, quatro entidades lutam pelo domínio do mundo dos sonhos. Madelein, anjo da inspiração. Morpheus, regente atual do mundo dos sonhos. Phantasos, deus da Fantasia, mestre das terras encantadas de duendes e fadas. Phobetor, Mestre da terra dos Pesadelos. Allejo, o maior esportista da planeta, é envolvido nessa guerra devido ao seu poder de inspirar milhões, algo fundamental numa realidade criada pela mente humana. Agora, o herói entrará numa batalha onde a vitória de cada pesadelo inspira os atos mais nefastos dos seres humanos e aonde um belo sonho pode curar uma alma.
            A primeira vez que lidei com uma história envolvendo sonhos foi quando tinha uns 8 anos de idade, quando estreou "A Pedra dos Sonhos" na TV cultura. Primeiramente um longa-metragem e depois um seriado, mostrava um mago cuja pedra encantada irradiava sonhos bons para o mundo. Mas, do outro lado do planeta , na Montanha da Maldade ( quer nome mais clássico?),  Zodrak controla um exército de pesadelos e de trols que desejam governam o mundo e a mente  das pessoas. O desenho era tão bom que a música tema era tocada pela orquestra filarmônica de Londres!
            Já os deuses dos sonhos tinha visto juntos todos pela primeira vez durante uma sagas de Saint Saiya-Lost Canvas, como deuses menores enviados por Hipnos para destruir os Cavaleiros de Athena mais poderosos!
            Mais tarde, em todo seriado, especialmente os de aventura, tinha pelo menos um episódio que se passava no mundo dos sonhos. Até a mais recente temporada de Powers Rangers( Megaforce ) que veio pro Brasil tem um episódio de um monstro que se alimenta de sonhos! Dos tokusatsus, um que me recordo bem por ter sido uma das primeiras fitas VHS alugadas por mim (tô ficando velho) é de um episódio do Policial de Aço Giban onde um cientista comercializa um aparelho no qual a pessoa pode programar os sonhos que deseja ter.
          No cinema, o Terror nos brindou com a franquia "A hora do Pesadelo", onde um fantasma de um assassino invade o sonho dos filhos de seus executores. Já a Ficção Científica nos deu"A Origem", onde espiões empresariais invadem os sonhos das pessoas para roubar segredos corporativos, discutindo a origem de nossas inspirações.
           No mundo dos games, Allejo era o nome do personagem de uma franquia de jogos de futebol que sempre era baseado no principal futebolista famoso no período do lançamento de jogo. Assim, Allejo transformou-se numa incorporação virtual do jogador dos sonhos da seleção brasileira.  
           Sandman é uma lenda americana que conhecemos como João Soneca, o duende que jogo areia do sono nos olhos das pessoas pra fazer elas dormirem. Sua forma mais clássica é visível no filme "A Origem dos Guardiões", onde alia-se ao Papai Noel, ao Coelho da Páscoa e à Fada do Dente para salvarem o mundo ( nunca imaginei que escreveria uma frase dessas...) O mundo dos quadrinhos teve um primeiro Sandmam, um super-herói da época da Segunda Guerra que usava gás do sono para atordoar seus adversários. Mas uma revolução estava por vir.
           Inspirado pelas histórias de Alan Moore, o artista Neil Gaiman  entra no mundo dos quadrinhos, criando seu próprio Sandman como uma encarnação atual do antigo deus Morpheus,. Na mitologia grega era o filho do deus do sono (Hipnos), tendo o poder de mudar livre mente de forma ( de onde vem o termo metamorfose) para enviar mensagens nos sonhos das pessoas ( por isso o guia de Neo no filme Matrix se chama Morpheus). Nos quadrinhos de Neil Gaimen, que escreve como se fosse uma mescla de fábula com heróis sombrios, Morpheus é um dos irmão imortais que controlam o universo, precisando assim recuperar seu poder roubado sobre o mundo dos sonhos.
                   Desta forma, o Sandman do título é tanto um nome do deus Morpheus quanto uma homenagem ao Neil Gaiman. Ao longo da história realidade e ficção se mesclam com notícias reais se no texto, hora para mostrar os triunfos das trevas, outros da luz, por vezes homenageando vários grandes autores da literatura mundial.
                   Quais os seus sonhos? Como eles e os de teus companheiros te influenciam? Qual o poder da imaginação humana sobre realidade? Bem vindos a guerra pelo domínio do Sonhar.
Para quem quer ver outras obras do Raphael Draccon também aconselho Cemitério de dragões .

Foto: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=30178423&nm_origem=rec_404_geral&nm_ranking_rec=1

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Magic Girls e Sailor Moon 5

Quando penso em um reino de cristal a primeira coisa que me vem a mente e’ a fortaleza da solidão do primeiro filme do Superman. Talvez por isso eu vibrei tanto quando li o Volume 5 de Pretty Guardian Sailor Moon, onde 2 impérios de cristal cujo poder provem de tecnologias psíquicas, a cidade de Tóquio Cristal e o Palácio do Planeta Nêmesis, lutam entre si pelo domínio do sistema solar, o clímax e final da segunda saga da Sailor Moon!
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Sailor moon foi o definidor do gênero Magic Girl . Entre os outros clássicos temos Guerreiras Magicas de Rayearth (Fantasia medieval! Armaduras Magicas!! Robos Gigantes!!!) e Madoka Magica ( o verdadeiro Wachtmen do gênero, desconstruindo-o e mostrando a luta pessoal de todos contra as trevas do próprio coração). Mas o que fascina tanto nesse gênero ?
Como base usarei a relação do trio Usagi-Endymion-Chibiusa, pois esse trio e’ o núcleo da saga assim como da maturação dos personagens. Usagi e’ uma menina alegre e brincalhona, porem extremamente chorona, irresponsável e ate meio mimada, com a gata Luna agindo como um verdadeiro Grilo Falante para desenvolver o seu senso de dever tanto com as amigas quanto com o mundo, o que resulta na evolucao de seu poder como Sailormoon. Endymion e’ o príncipe encantado, mas não e’ perfeito, por vezes herói, por vezes vilão, ele também esta crescendo e aprendendo seu verdeiro papel. Por fim, Chibiusa, herdeira de Tóquio Cristal, e’ exatamente como Usagi no inicio da saga mas muito mais mimada! Então, quando Usagi lida com Chibiusa e' como se ela estivesse lidando com seu próprio lado infantil, que não pode ser nem exagerado nem ignorado, mas transformado.
Como saber em quem confiar? Quem e’ aliado e quem e’ inimigo? Quando saber quando alguém te machuca não por mal, mas por ignorância? Como saber quando alguém te ajuda por amor e não por interesse? Essas são questões normais da adolescência e que surgem nas heroínas (e heróis ) da historia, todos inicialmente solitários, muitas vezes manipulados e que vão aprendendo palatinalmente como observar o verdadeiro coração das pessoas e, a seguir, o próprio coração.
Todas essas questões são mergulhados no reino da imaginação humana, onde os desejos e sentimentos tornam-se as armas para lutar pelo bem ou pelo mal, sintetizando, assim, o fantástico gênero das Magic Girl.
No ocidente temos algumas produções que se aproximam do gênero, como H2O -Meninas sereias (seriado australiano adolescente sobre 3 heroínas com poderes elementais da água), 3 espias demais, W.I.T.C.H ( sobre um grupo de feiticeiras adolescentes que luta contra o mal)e o Clube da Winx (sobre um grupo de fadas que luta contra o mal). mais recentemente as novas aventuras da Tinker Bell e mesmo Monster High tem tracos desse gênero, misturando poderes mágicos com o desenvolvimento da personalidade feminina.

Se tiver outras sugestões de obras orientais e ocidentais boas que abordem o tema compartilhe conosco!

Foto:http://mangasjbc.uol.com.br/sailor-moon-05/

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Ficção científica e ficção especulativa

Coluna -Fora de órbita


Olá, meus queridos leitores! Comemorando a postagem número 70 e a mais de 3 mil visualizações do Letras e Aventura, falarei sobre um gênero que abarca todas as mídias e que aprecio muito, a ficção especulativa!

RAÍZES:

ficção cientifica, Ficção Espacial, Star Trek, Star wars, diselpunk, De volta para o futuro, ficção especulativa  “Nossa, Luiz! Mas nunca ouvi falar disso!” Conhece sim, mas pelo nome antigo de ficção científica! Muitos estão começando a usar o novo termo tendo como argumento abranger a grande explosão de romances de história alternativa. Como seria um mundo onde Napoleão ganhou a guerra? Ou se o Brasil ainda fosse uma monarquia? Ou se caísse uma nave alienígena cuja análise avançaria a ciência? Toda linha futurista da ficção científica não deixa de ser romances de história alternativa projetados para o futuro.

Creio que a lembrança mais antiga que tenho são os dos Cybercops, um seriado japonês de tokusatu onde um grupo especial da polícia usava armaduras robóticas para lutar contra um exército de robôs enlouquecidos. A história ganharia ainda mais elementos do gênero, como viagens no tempo. Nos livros, o primeiro livro que me marcou foi “A 7 faces da ficção espacial”. A coleção “7 faces” era constituída por livros contendo cada volume 7 contos de um único tema. E minha mente, acostumada aos Superamigos, Star Trek, Star Wars e Tokusatsus, se abriu ainda mais mais sobre as possibilidades da ficção especulativa com essa obra.


VIAGENS:

A conquista espacial acabou transformando-se no sinônimo de ficção científica nas últimas décadas, com a dupla cinematográfica Star Wars e Star Trek como o grande ápice e origem da principais imagens que aparecem na mente da maioria quando pensam no assunto. No quadrinhos Flash Gordon, o herói terrestre que viaja pelos vários territórios do Planeta Mongo para destruir o Imperador Ming, foi o grande marco do gênero. A ideia de explorar reinos exóticos cheios de tesouros e com costumes estranhos existe há milênios e esse arquétipo da equipe de exploradores é a base desse gênero, por vezes fundido com o do herói que luta contra o império do mal.
O próprio Superman, pai dos quadrinhos de super-heróis, tem origem alienígena, assim como a grande ameaça que une os heróis de “Os vingadores”. O próprio céu tem fenômenos que já assombravam na antiguidade, como os eclipses e meteoros. A exploração dos mesmos pela ciência moderno amplificou ainda mais a magia dos seus mistérios: buraco negros, anti-matéria, estrelas exóticas e toda tecnologia espacial.
Mas não é apenas de olhar para os céus que se nutre a ficção científica, mas também para a Terra e mesmo dentro do ser-humano. Neste último, o exemplo mais extremo é o clássico "Viagem fantástica", onde um grupo de pesquisadores encolhe e entra no corpo de um homem para curá-lo. Nos quadrinhos o Tio Patinhas realizou sua viagem ao centro das folhas em busca do segredo da fotossíntese. Ou como esquecer as milhares de versões do "Viagem ao Centro da Terra"?
ficção cientifica, Ficção Espacial, Star Trek, Star wars, diselpunk, De volta para o futuro, ficção especulativa Nesta buscas por mundos exóticos, reinos futuristas se escondem no interior da terra em muitos histórias, como frequentemente vivenciou Tarzan nos quadrinhos. Temos ainda os mundos criados pelos computadores. A realidade virtual fornece possibilidades infinita, como já nos mostrou “Matrix” e “O Passageiro do futuro”. Me lembro de um seriado chamado “”Vr5”, onde uma garota herdou uma tecnologia de realidade virtual em que a pessoa que atendia seu telefone era lançada num mundo gerado por computador onde ela podia interroga-lo.
E, se estamos falando de viagens, porque não viajar pelo próprio tempo? Caminhar com os dinossauros ou tentar ficar milionário prevendo o futuro? Acho que o melhor exemplo é a trilogia “De volta para futuro” ( e que teve um desenho animado igualmente bom), mas temos ainda boas opções como o livro de HG. Weels ”A maquina do tempo”, o filme de ação “Time Cop- O Guardião do Tempo”, até um dos melhores jogos de vídeo-game das tartarugas ninjas abordar muito bem essa temática. Incluo aqui a ideia das terras paralelas onde a história tomou outro rumo, como no seriado “Sliders-Dimensões Paralelas”.
Para quem quiser conhecer dimensões alternativas recomendo muito o livro “Diselpunk”, da editora Drako, uma coletânea de ótimas novelas que se passam cada uma em um Brasil alternativo diferente, baseadas no futurismo do início do século 20. Narrativas indo desde um combatente do crime num Brasil Soviético até uma guerra robótica entre Argentina e Brasil.
Gosto de enfocar na questão de viagens porque o próprio processo de leitura e escrita de ficção é mergulhar em mundo criado por nossa imaginação .E agora vamos brincar um pouco com o termo.

DIVERSIDADE: 

           Se usarmos a ideia de ficção especulativa de forma abrangente, toda obra de fantasia seria abarcada. No entanto, não seria a ficção científica um subgênero da linha de fantasia, usando como foco as curiosidades e mistérios das mais diversas áreas do conhecimento? Assim, fica muito mais compreensível a existência de obras como He-man e Os Caça-Fantamas onde o sobrenatural e a tecnologia se misturam de forma maravilhosa.
Se o termo ficção científica se refere as histórias que usam a ciência como foco, será que não poderíamos classificar algumas série cultuadas como desse estilo, mas que ninguém imagina? CSI e seus clones focam no uso da tecnologia para resolver crimes. “House” mostra as curiosidades da ciência médica para resolver casos, “The Mentalist” usa as ciências humanas para prender criminosos.  Graças a esse seriados que atualmente pudemos ter “The Marvel’s Agents of Shield”, uma das principais obras de ação e ficção científica atual.
Talvez o melhor exemplo disso tudo seja a linha de livros de Roobin Cook, especialista em suspense médico, onde todas as suas obras tem um toque de ficção cientifica, indo da clonagem a supercomputadores, com 90% do enredo sendo uma história de mistério no nosso mundo atual cujo segredo está em alguma tecnologia que ultrapassa discretamente nossa ciência cotidiana.
Assim, estamos em um novo período da ficção científica marcada pela renovação de Star Trek e Guerra nas Estrelas, mas talvez ainda mais pelos filmes de heróis da Marvel cujos poderes e ameaças são originários das ciência. Há uma canal apenas sobre o tema ( Syfy)  e entramos numa nova onda de robôs em todas as mídias.
Por fim, sou fã de aventuras fantásticas no geral, porém, a ficção especulativa tem algo que me fascina, que é a capacidade de refletir sobre a interação entre o homem e a tecnologia, mais precisamente, entre o homem e o conhecimento.Vermos como enfrentar nossos pesadelos, dar-nos ideias para construir maravilhas e nos despertar ainda mais o interesse pelas maravilhas do universo.

Obras do Gênero resenhadas pelo blog até o momento:



Fotos: http://www.freepixels.com/Objects/Computers_and_Technology/pic5948.html e http://www.freepixels.com/Abstract_and_Concept/Backgrounds/pic5708.html