quinta-feira, 26 de junho de 2014

TOKUSATUS

            Estreamos hoje a coluna FORA DE ÓRBITA, onde falarei de algo fora do universo literário (mas nem tanto). E hoje falaremos sobre os tokusatsus no Brasil! Vamos lá, Gigante Guerreiro Daileon!           
fora de orbita, Jaspion, Tokusatsu, Power Rangers, Changeman, Cavaleiros do Zodíaco, Robo Gigante

           A TV brasileira, começando nos anos 80 e assumindo nova forma nos 90, mostrou uma onda seriados live-action japoneses caracterizado por heróis coloridos que não sangravam, mas soltavam faíscas, impérios alienígenas que não se disfarçam de forma conspiratória, mas chegavam explodindo tudo o que viam, normalmente mesclado com monstros e veículos de combate gigantescos. Assim foi a era de ouro do tokusatsus no Brasil ( neologismo japonês para os filmes de super-herois com vários efeitos especiais). Jaspion, Changeman, Kamen Rider e muitos outros lutavam todos os dias para defender o mundo! outras já haviam sido exibidos até o momento, mas a chegada da dupla Changeman e Jaspion fez a mania explodir e abrir caminho para dezenas de outras série. Várias séries marcaram toda uma geração de fãs, com raros seriados do estilo exibidos antes no Brasil e que voltou a escassear no final dos anos 90. Mas o que aconteceu para algo de tanto sucesso parar? E qual o futuro dessas franquias por aqui?
    Os fãs gostam de colocar 3 grandes culpados:
    Power Rangers: Os americanos compraram os direitos da maioria dos seriados legais e só permitiam passar nada além das versões americanizadas! ( tem conexão, mas foi muito exagerado)
    Cavaleiros do Zodíaco: Com o mega sucesso na Manchete todo mundo queria trazer desenhos japoneses pra cá e deixam de lado os tokusatus !! ( também tá ligado, mas igualmente exagerado e não explicado como um bum real da cultura japonesa por aqui só aconteceu anos depois com Pokémon)
    TV brasileira: eles só gostam de passar novela e tiraram as series legais do ar !!! ( ainda mais ligado e muito distorcido)
   Quais as reais causas então, vocês me perguntam? Que teoria da conspiração é essa? Caaaaalma! Primeiro temos que entender a época de sucesso desses filmes e programas.
      Cada momento tem seus heróis prediletos. Já tivemos as levas de Cowboys de bang bang, artistas marciais como nos filmes do Van Dame, policiais durões como em Maquina Mortífera, toda a era de fortões anti-heróis que depois foi reunida por Stalone em “Mercenários”. Justamente na transição desses últimos dos anos 80 para os heróis high tech (especialmente hackers e heróis ecológicos) nos anos 90 temos o sucesso dos tokusatsus no Brasil. E uma coisa bem interessante que podemos observar é que esses sucesso não era de qualquer produção japonesa, mas de 3 dos vários tipos de seriados : os super-sentais ( que seriam a base para criação de Power Rangers), os metal heroes ( os guerreiros de armaduras robóticas como Jaspion e os policiais do espaço) e Kamen Rider (que teve o seriado Black e sua continuação Black RX exibidas por aqui). Outros seriados eram exibidos com menos frequência e muito menos sucesso , a exemplo de Ultraman .
         Agora bem situados, vejamos os problemas que tinham na época ( alguns fãs vão querer me trucidar, mas é pura realidade porque também sou fã e vivi isso) : nenhum dos filmes dos seriados era trazido por aqui, as únicas fontes de material aprofundado sobre os seriados só apareceriam com o surgimento da revista Herói e seus clones( e que surgem no sucesso de Cavaleiros do Zodíaco, quebrando de vez a crença da vinda do desenho como ruim pros tokusatsus) e estratégias de exibição mal feitas, com algumas séries nunca tendo o final exibido na TV nem disponível em VHS, objetivando obrigar quem acompanhasse a assistir eternamente as reprises aguardando o final( procure as entrevistas com os antigos distribuidores dos seriados no Brasil e verão eles confirmando isso com todas as letras).
       Logo, após uma década de diversão, o publicou começou a ficar exaurido.
       Foi quando chegaram o Power Rangers! O criador, Haim Saban, era um fã de seriados japoneses que, após múltiplas tentativas frustradas de levar tokusatsus para os EUA, aproveitou a onda de dinossauros da época para comprar um sentai com essa temática (Zyuranger) e o reelaborou adaptado para o mercado ocidental, resultando num enorme sucesso. Ele mesmo e outras empresas, vendo os resultados, começaram a comprar outras seriados japoneses para fazer suas versões americanizadas ou mesmo produções independentes baseadas nestas. Lembram quando metade da programação da FoxKids (atual Disney XD) era feita apenas desses seriados americanizados como VR Troopers e Masked Rider?
        Assim, as empresas do mercado de vídeo brasileiro viram que a antiga mania de heróis japoneses que dava muito dinheiro por aqui tava ocorrendo nos EUA, mas na forma de adaptações.Logo, ao verem os seriados já adaptados para o publico ocidental, em inglês e com empresas bem mais fáceis de negociar que as japonesas (pela proximidade geográfica e cultural), preferiram trazer em massas a nova onda americana pra cá no lugar de comprar novos tokusatsus “in natura”.
        Com o tempo essa onda também esfriou, devido também ao acúmulo de problemas não resolvidos da época ( se destacando roteiros cada vez piores e falta de iniciativa em produzir material próprio ). Power Rangers se diferiu dos outros por sempre conseguir inovar, tanto atraindo novos fãs quanto tratando bem os fãs de longa data, inclusive com novo filme a caminho
       E atualmente?
       No ano de 2009 tivemos a comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil, amplificando todo o mercado de elementos orientais que já estava grande com a proliferação tanto de mangás quanto de filmes de artes marciais no país. A partir desse ano, começou o retorno dos tokusatsus, primeiro com a exibição de Ryukendo na Rede TV, depois com Kamen Rider -Dragon Knight na Globo, culminando com o lançamento de box de DVDs do principais tokusatus antigos que passaram no Brasil!
fora de orbita, Jaspion, Tokusatsu, Power Rangers, Changeman, Cavaleiros do Zodíaco, Robo Gigante

        Atualmente cada vez mais seriados e filmes japoneses dos mais diversos gêneros estão sendo lançado diretamente para DVD com box de qualidade. Apesar da TV se restringir a Power Rangers, cujo sucesso esta crescendo novamente, os cinemas no brindaram com o excelente Círculo de Fogo (Pacific Rim), seguido de Godzila! E quem tiver o Cinemax na TV a cabo pode curtir múltiplos filmes recentes vindos diretos do Japão, especialmente do Ultraman.

        Qual o futuro?Aqui boto apenas reflexões pessoais. Múltiplas são as possibilidades, ainda mais com a ascensão continua das TVs digitais sobre as opções abertas e cabo. Talvez uma nova onda de filmes de robôs gigantes vs monstros ( algo que provavelmente veremos no canal ScyFi), talvez tvs digitais exibindo os seriados antigos japoneses ( O Netflix atualmente tem todas as temporadas de Power Rangers e VR Troopers), ou uma onda de ótimas adaptações de vídeo-games, cujo embrião são as ótimas webséries de Mortal Kombat e Street Fighter.

Foto 1: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42133278&ranking=2&p=jaspion&typeclick=3&ac_pos=header&origem=ac
Foto 2: http://www.cultclassic.com.br/filmes.asp?codigo_produto=209

segunda-feira, 23 de junho de 2014

BAKUMAN - Volume1

      Todo grande fã de quadrinhos, sejam comics ou mangás, já desejou conhecer os criadores de suas obras ou mesmo se tornar um artista do ramo! Bakuman mostra justamente a jornada de 2 otakus que buscam realizar o sonho de publicarem seus próprios mangás e animes!
Bakuman, mangá, histórias em quadrinhos, Tsgumi Ohba, Takeshi Obata, Death Note, Shonen Jump, JBC,
           Os bastidores de Bakuman em si já são interessantes, já que a dupla que o faz  (o roteirista Tsgumi Ohba e o desenhista Takeshi Obata) são os mesmos criadores de Death Note, um dos maiores sucessos de suspense sobrenatural mais recentes. Alem disso, Tsugmi é apenas o pseudônimo do roteirista, cuja identidade real eá mantida a 7 chaves pela Shonen Jump (revista japonesa que originalmente publicou as 2 obras).Para completar, o mangá já foi publicado completo no Brasil e agora esta sendo reimpresso devido a grande popularidade  do mesmo.
Aqui os 2 estudantes de 14 Moritaka Mashiro e  Akito Takag se conhecem e vem um no outro a chance de se tornarem mangakás ( autores de mangás). Akito Takage eá um gênio super extrovertido e grande escritor, cheio de ideias de roteiros ( vamos ver se um certo leitor do blog sabe em quem estou pensando...), mas não conhece nada dos bastidores dos mangás. Já Moritaka Mashiro, sobrinho
de um falecido mangaká, tem um conhecimento enorme do mercado porém um medo maior ainda de entrar numa área que foge tanto do padrão de carreira que o colégio botou em sua mente.
              Desta forma, são mostradas varias curiosidades do mercado de mangás, especialmente sobre a Shonen Jump (não se esquecendo que é a mesma revista que deu ao mundo Saint Seiya, Dragon Ball e One Piece) alternadas com a luta diária da dupla para melhorar suas  habilidades continuamente em busca da publicação de uma obra prima, tendo o mundo adolescente oriental e mesmo a visão japonesa de carreira normal como dificuldades. Exemplo de curiosidade: a regra das 10 edições! Você tem 10 edições pro seu mangá fazer sucesso na Shonen! Caso não desperte a atenção de qualquer tipo de público nesse período será cancelado na décima edição!
Interessante que não estamos vendo a vida de alguém que criou uma nova ferramenta artística ou tecnológica ( como a internet,o computador, o manga, o avião, etc), mas uma obra que mostra os diversos combates diários para alguém se tornar um profissional de sucesso sem ser destruído em um mercado quase saturado, um lugar onde é preciso unir tanto ápice da técnica quanto da criatividade para conseguir um lugar ao sol, onde criar algo que influencie  uma cultura inteira é o minimo para ter sucesso.

Foto: http://mangasjbc.uol.com.br/bakuman-1/

domingo, 22 de junho de 2014

SAGAS

               Olá gente! Comemorando o  artigo número 60 do Blog, hoje fugirei uma pouco da temática tradicional, não falando sobre um livro ou revista específica, mas sobre um estilo de história, que é muito freqüente no mundo dos super-heróis e atualmente nos livros de fantasia. Falo das sagas.

Cavaleiros do Zodíaco, Crise Nas Infinitas Terras, Crônicas de Nárnia, Gaphic Novels, Guerras Secretas, Harry Potter, One-Shot, Percy Jackson, Senhor dos Anéis,
                A enciclopédia Larousse (existe vida fora da Wikipédia) define brilhantemente como um conjunto de narrativas em prosa ou uma história rica em incidentes.  No  mundo dos livros e quadrinhos ( e transposto destes para as mais diversas mídias), temos as histórias épicas que ocupam várias edições, talvez sendo uma das mais clássicas e base da maioria das histórias de fantasia atual como a trilogia do Senhor dos Anéis. Nos quadrinhos,  os épicos “ Crise nas Infinitas Terras“ da DC Comics e “Guerras Secretas” Da Marvel são os clássicos que modelam as historias atuais. Na atualidade temos vários exemplos, como Harry Potter, Guerra dos Tronos, Percy Jackson, além de cada série de super-heróis em quadrinhos, TV ou cinema ser feito nessa estrutura.
                Isso é o que diferenciou Cavaleiros do Zodíaco quando chegou no Brasil. Estávamos acostumados aos desenhos de aventura que nos espantavam com os raros episódios duplos, então chega um onde todos os episódios são diretamente ligados entre si! Onde a cronologia importava! Onde você discutia com os amigos os detalhes dos episódios anteriores pra descobrir os segredos dos heróis e vilões!  Assim, você mergulhava num universo imenso de ação e fantasia pra deixar sua imaginação borbulhar.
                No entanto, essa conectividade,se mal administrada, pode se tornar um problema, pois pode gerar tantas referências e pontas soltas para continuações que você ou se perde na história ou fica com raiva pela saga não chegar a lugar nenhum! Levantem a mão os frustrados por nunca ter tido um final Caverna do Dragão, Túnel do Tempo ou Terra de Gigantes?  Ou por terem comprado um livro que termina com “Continua na próxima edição”?
                Boas sagas evitam isso fazendo com que estas sejam compostas por várias aventuras completas. Tanto assim que os primeiros 4 livros de Harry Potter podem ser lidos independentes e em qualquer ordem sem causar problemas! O mesmo para as Crônicas de Nárnia ou Percy Jackson. No desenho dos Cavaleiros do Zodíaco ( e outros clássicos como Samurai X e Dragon Ball) tínhamos minissagas que compunham a história, além de cada saga principal ter seu próprio final. Nos X-Men de Grant Morrison e de Chris Claremont a cada 3 edições tínhamos uma historia completa, histórias que se uniam após um ano numa grande saga.
                Nos entanto, por outro lado, muitas minissagas dos quadrinhos atuais duram quase um ano! O conceito de minissérie parece ter sido descartado pela maioria dos autores e editores  (desde quando você chama de minissérie algo com 12 edições ?!) É irritante comprar um encadernado de 300 páginas de quadrinhos que apenas mostra mistérios e termina com um “Continua...” , por isso sou muito mais seletivo atualmente nas minhas compras.
                Como já disse, eu adoro grandes sagas, mas está é uma das várias formas de trabalhar uma história. Nos quadrinhos, temos o one-shot (história única), as minisséries  (alguém lembra da época que a maioria delas tinha, no máximo, quatro volumes?), os Gaphic Novels (quadrinhos feitos em formatos de livros). Nos livros, além dos romances temos os contos e as novelas.  Por fim, são apenas modelos, existindo vários bons autores que misturam e adaptam esses formatos de maneira única. 
                 Se você for um leitor ou escritor, lembre que uma história de mil páginas de um império místico pode encher sua mente de batalhas e romances incríveis, mas que não devemos descartar histórias menores. Antes de Super Mario Bros, nosso encanador italiano predileto subias escadas e desviava de barris pra resgatar sua namorada em Donk Kong. Antes de defender o mundo de Poseidon e Hades, Seiya lutou  num campeonato para conseguir sua armadura mágica. Alguns grandes filmes de Hollywood começaram como curta metragens de alguns minutos que conquistaram a imaginação das pessoa. Que todo seriado teve seu episódio piloto.

Foto:http://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/n/Natureworks/03/l/1394047304izk33.jpg

sexta-feira, 20 de junho de 2014

MARVEL COMICS - A HISTÓRIA SECRETA


            Quando gostamos de algo profundamente desejamos conhecer sua origem e funcionamento. Nesse contexto, “Marvel Comics- A historia secreta” chega em momento oportuno, com  a Marvel conquistando o cinema com “Os  Vingadores”, “Homem-Aranha" e" X-men”. Temos pelo menos dois filmes de herói por ano vindos da empresa!
             Conhecer os bastidores é  entender porque alguns heróis são de determinada forma, compreender as brigas de direitos autorais  que igualmente as influenciam e se deliciar com histórias de lutas criativas e empresariais tão empolgantes quanto os épicos do Thor!
marvel comics, história secreta, histórias em quadrinhos, super-heróis, Stan Lee, Jack Kirby, Martin Goodman, Vingadores, X-men, Homen-Aranha, Quarteto Fantástico

            Desta forma, o jornalista Sean Howe nos presenteia com esse livro, dividido da seguinte forma:

             Parte I: Mitos e Criação: Aqui vemos tudo desde o início, quando o editor Martin Goodman fazia dinheiro publicando pulps (histórias de justiceiros e detetives misteriosos) até a vinda do Superman mudar todo o mercado. O super-robô tocha-humana é um dos carros chefes da editora, junto com o vilão Príncipe Namor, chegando a estrelar o primeiro crossover da história, onde Tocha-humana e todos os heróis da editora se aliam numa única edição para lutar contra o Eixo!
            Interessante se pensarmos nessa última parte, se transpusermos pro mundo atual, não seria muito diferente se botassem a Liga da Justiça ou os X-men pra lutar contra uma aliança das principais ditaduras do planeta.  Alguém tem coragem de fazer isso?
            Prosseguindo, com o fim da segunda guerra mundial e a entrada do Código de Ética dos quadrinhos, temos uma queda geral das vendas, pois os heróis estavam tomados pela temática bélica e o outro seguimento que vendia muito era o terror ( quase exterminado pelo Código). Coube então a dupla maravilhosa Jack Quirby e Stan Lee criarem a nova onda de super-heróis, começando pelo Quarteto Fantástico para concorrer com a Liga da Justiça!

             Parte II: A nova Geração: Com Jack Kirby indo pro concorrente e Stan ficando com a parte de propaganda e outras mídias, o núcleo central da empresa começa a se reestruturar, pois a dupla, antes de se desfazer, tanto treinava quanto coordenava os artistas novos, mantendo seu estilo nas histórias.
            Agora temos a entrada de artistas comp Jim Starlin, criador de Thanos e de metade do universo espacial da Marvel! Do outro lado, os X-men já tinham sido cancelados a algum tempo, sendo ressuscitados numa edição especial onde, pela primeira vez na editora, tínhamos um grupo de heróis com cada um de uma nacionalidade diferente! Um certo estagiário chamado Chris Claremont criou uma nova série mensal a partir daí, deixando a equipe mutante como a conhecemos hoje.

                Parte III:Troblle Shooter: Aqui vemos novamente tudo se reestruturar no anos 80 com Jim Shooter, amado por uns e odiados por outros tanto pela alta qualidade de suas histórias quanto pela rigidez com a qual dirigia seus funcionários! Afinal, no início a dupla Stan e Kirby planejava tudo nos anos 60. Nos anos 70 tínhamos a mistura do clima hippie com a ausência da influência direta dos criadores. Nos anos 80, Jim chega para unificar e renovar todo o universo Marvel, como mostra a criação de Bill Raio Beta e do Máquina de Combate.
           Messe período temos a primeira mega saga envolvendo todos os gibis da Marvel ( e a primeira com uma linha de brinquedos própria), “Guerras Secretas”, onde os heróis e vilões são transportados para um planeta alienígena numa competição de poder, feita a maior parte por Shooter. O mega sucesso aumentou  tanto o lucro da Marvel quanto a crise social interna da editora, até finalmente Shooter sair e fundar a editora Valiant.

                Parte IV:Expansão e queda: Aqui temos os conflituosos anos 90.  Novos artistas  faziam um sucesso de vendas nunca visto antes, se destacando Todd McFarlane no Homem –Aranha (especialmente com a saga do Venom) e Rob Liefeld com Cable e Deathpool, e grande irritação dos editores por entregarem tudo na ultima hora J Mas aqui temos uma geração de artistas com uma visão bem diferentes dos antecessores, conhecedores de todo o histórico das lutas entre editoras e artistas pelos direitos dos seus personagens (normalmente resultando na pior pro artista). O que Todd e cia fizeram? Simplesmente levaram a maioria dos colegas embora da Marvel para fundar a editora Image, que pagava muito melhor !
            A Marvel então entrou em crise, já que a maioria dos artistas de sucesso caíram fora simultaneamente, repentinamente e se tornaram concorrentes!

            Parte V: Uma nova Marvel: A reestruturação da Marvel que levou ao começo do sucesso cinematográfico atual.
            O livro detalha profundamente cada um desses fatos e a vida de dezenas de profissionais da Marvel, inclusive detalhes sobre as lutas administrativas da empresa. Muitas pessoas que leem o livro falam que este joga toda a culpa em cima dos executivos da mesma, retratando-os  na forma de gananciosos, manipuladores e ladrões de ideia, enquanto os grandes artistas são meros marionetes destes que dependem deles para sobreviver. Acho uma leitura exagerada, pois o livro mostra vários ciclos tanto de crise quanto picos de qualidade administrativa e criativa.
            Além disso, são mostrados nitidamente os conflitos entre os próprios artistas que várias vezes causavam problemas na editora e nas vendas. Qual seria a melhor forma de distribuição dos direitos autorais, por exemplo?  Qual o nível de liberdade  para um artista a ponto deste poder criar grandes histórias, mas sem perder as bases num universo interligado e que precisa gerar lucro? Como deve ser a conexão entre os setores de marketing, comércio e os próprios artistas? São reflexões que teremos no livro enquanto nos mostra a história daqueles que nos levaram para Asgard, mostraram os problemas do preconceito em fábulas mutantes e criaram toda uma mitologia da era espacial.

Foto: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42138639

                                

terça-feira, 17 de junho de 2014

BIOSHOCK : Rapture

          O primeiro livro baseado em vídeo-games analisado pelo Letras e aventuras!

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            A projeção de utopias e distopias é essencial para o ser humano, elaborando tanto possibilidades de sociedades "perfeitas" que nos inspirem quanto mostrando as catástrofes que podem afundar uma civilização. Quem nunca imaginou como seria seu próprio país das maravilhas ou uma luta pós-apocalíptica como em MadMax ( apesar de hoje em dia mundos pós-zumbis que estão na moda). Inspirados nesses diversos cenários temos e regado com muita reflexos filosóficas estilo Ary Rand ( a mesma escritora de a A Nascente), foi criado a franquia que revolucionou os jogos de tiro no Playstation 3: Bioshock , onde o protagonista descobre uma cidade submarina criada secretamente na época da guerra fria, onde uma guerra entre cyborgs gigantescos ( os Big Daddy), mutantes artificiais e cientistas loucos corrompeu o lugar e caberá ao protagonista desvendar os mistérios do lugar enquanto desenvolve seus poderes psíquicos.
E o livro surpreende porque não é uma simples adaptação do jogo, mas a história de toda criação da cidade submersa de Rapture, sua ascensão e queda!
Começando pelo mega empresário Andrew Ryan, o fundador, de um lado querendo cair fora da luta entre a União Soviética e os E.U.A, do outro abominando qualquer ideia de controle governamental sobre a economia, planeja Rupture como um lugar onde as mentes escolhidas por ele terão liberdade total para criar uma nova civilização. No entanto, diferente do que imagina, nenhuma sociedade , nem mesmo Rupture, começa realmente do zero, já havendo diferenças brutais entre os cidadãos desde seu início. A medida que vai fazendo vista grossa para os crescentes problemas da cidade em troca da manutenção de seu poder político na mesma, torna-se cada vez perturbado em sua torre cristalina.
         O grande opositor de Andrew Ryan é o pilantra Frank Fontaine , um ladrão e comerciante de roubos que se infiltra na cidade para se aproveitar de todos os vícios morais trazidos por seus habitantes, tornando-se ao mesmo tempo o maior patrocinador de grandes causas (que usa tanto para irritar o governante da cidade quanto como faxadas e pontos de distribuição de seus produtos), com seu auge na venda de Adam, a droga que dá poderes psíquicos a quem pode pagar mais e cuja luta pelo seu monopólio envolverá a cidade inteira.
Por fim, mas igualmente importante temos o engenheiro Bill McDonaugh um dos cientistas que ajudou a projetar a cidade e um dos raros que tenta ver tudo de forma objetiva, testemunhando as lutas de gangue e os problemas técnicos, sem se deixar levar pela guerra ideológica que atinge níveis semelhantes ao de fanatismo religioso. A voz da razão para ajudar a cidade e salvar sua família.
Assim, escrita por John Shirley, Bioshock: Rapture mostra como a luta pelo poder, seja tenológico seja ideológico pode levar tanto ao florescimento quanto ao colapso de uma civilização. Uma escolha ótima da editora Novo Século para enriquecer a literatura de ficção científica sem se prender aos clássicos batalhas espaciais.

Foto:  http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/4945814/bioshock-rapture/

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Pretty Guardian Sailor Moon volume 3

"Ataque planetário Sailor moon!"

          Olá , leitores e leitores do meu amado país!  Chego aqui com o volume 3 da edição brasileira de Pretty "Guardian Sailor Moon"!
         No Volume 1(http://letraseaventura.blogspot.com.br/2014/05/pretty-guardian-sailor-moon-volume-1.html) Tivemos o aparecimento de cada uma das guerreiras e do misterioso Taxedo Mask que lutavam contra monstros em busca do Cristal de Prata!
        No Volume 2 (http://letraseaventura.blogspot.com.br/2014/05/pretty-guardian-sailor-moon-2.html), é revelada a antiga guerra entre a Lua e a Terra milênios atras, assim como como a origem dos poderes dos vilões e das guerreiras!
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No volume 3 a situação explode, literalmente! Aqui é revelada toda a natureza do cristal de prata cujos poderes deverão ser aprendidos totalmente pelas guerreiras para destruir a deusa maligna que dá poderes a rainha Beryl e que deseja escravizar a terra, a Rainha Metalia!
Temos aqui várias surpresas interessantes, começando por uma página dupla colorida com TODOS os personagens que apareceram na história até o momento! O começo de uma nova saga no meio do mangá com o surgimento de uma garota com cabelas rosa e de guerreiras cujo poder rivaliza com as Sailors! Até um cristal maligno que compete com o Cristal de Prata!
Interessante que, com todos os mistérios do galante ladrão Taxedo revelados, a pequena Usagi ( a menininha de cabelo rosa, cujo mistério do nome igual ao da protagonista será revelado nos próximos volumes) acaba substituindo seu papel de personagem misterioso, nem herói nem vilão, mas sem ser repetitivo, já que de um bandido e par romântico sombrio passamos a uma garotinha de poderes estranhos. Da mesma forma, depois da batalha épica contra a rainha Metalia, é perfeitamente lógico os novos poderes das garotas já que elas entenderam a real origem de suas habilidades. Por fim, os novos vilões dão pequenas dicas de sua origem e tem uma hierarquia diferente do império sombrio da rainha Beryl, lembrando mais uma família real com um mago da corte.
Fazendo uma comparação com o desenho, percebe-se aqui claramente a diferença do clima entre o anime ( muito mais comédia de ação) e o mangá ( uma ação de suspense centrado em romances épicos com algumas boas piadas), inclusive com os quadrinhos deixando bem mais claro o amadurecimento de todos os personagens. Um dos motivos se revela na seguinte análise: A primeira temporada do desenho animado tem 52 episódios, enquanto a mesma , no mangá, tem 16 capítulos, logo, mais da metade do desenho é material criado exclusivo para a TV, o que cria um tom próprio para a história. Tanto é assim que o novo anime que estréia esse ano no Japão, "Sailor Moon Crystal", como foi feito para ser mais fiel ao mangá, terá uma primeira temporada de 26 episódios. Enfim, leia o mangá descubra ainda mais detalhes que enriquecem ainda mais toda a saga de Sailor Moon!

Imagem: http://mangasjbc.uol.com.br/sailor-moon-03/

quinta-feira, 12 de junho de 2014

CHEIRO DE LIVRO NOVO

Olá, meus amigos!

       Mais uma vez temos uma convidada muito especial compartilhando conosco sua experiência literária, a escritora de contos ( Contos da Cami  ) e especialista em redes sociais (  Analisando Fanpages) Camila !


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     Alguns cheiros, de tão bons, se tornam icônicos. Bolo no forno cheira a carinho de mãe, talco cheira a bebê limpinho, terra cheira a “Ai filho, você se sujou de novo!”. E livro novo cheira a aventura. A novos mundos a descobrir. Cheira a momentos divertidos vivendo uma história interessante.

      O cheiro de livro novo não é universal, como o cheiro de carro novo (que, convenhamos, é basicamente cheiro de plástico e tecido de banco). O cheiro de livro novo muda, traz lembranças e associações diferentes.

      Livro técnico, de faculdade, tem páginas brancas que cheiram a noites sem dormir e marca-texto amarela. Livro de sebo tem cheiro de segunda chance, de raridade descoberta, de alegre pechincha. De mãos empoeiradas, rinite atacada, garimpo arqueológico, das flores e das prostitutas da João Mendes.
      
     Livro de loja tem cheiro de papel novo, de novidades, discussões. Cheiro de menininhas discutindo team Edward ou team Jacob. De hoje-eu-mereço-e-vou-me-comprar-um-presente. Cheiro de fadas, duendes, romances sensuais, de personagens mortos pelo G. R. R. Martin.

     Livro de bolso tem cheiro de uma boa aventura ou romance para te acompanhar no ônibus, para te ninar antes de dormir, para acompanhar a espera. Cheiro de mais-uma-página-e-aposto-que-chega-minha-vez.

      Livro tem cheiro de conhecimento, companhia, sentimentos. Espero que você goste deles tanto quanto eu. 

Camila Bomfim

Imagem: http://cdn.morguefile.com/imageData/public/files/r/rsbc/05/l/13680736154ygtr.jpg