quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Superdeuses

     
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     O multiverso das historias em quadrinhos sempre me fascinou, essa forma única e talvez uma das mais antigas de expressao literaria, com alguns grandes autores de quadrinhos marcando minha imaginação e Grant Morrison foi um deles. Foi nos últimos 10 anos que comecei a descobrir e entender os vários desenhistas, escritores, editores e muitos outras profissionais da área ao invés de simplesmente comprar algo com capa bonita nas bancas. Uma surpresa muito agradável foi quando descobri que uma grande parte das minhas histórias prediletas que mostravam um tema visto de vários ângulos diferentes,  usavam uma metáfora pra discutir uma questão social importante e temperadas com uma suave metalinguagem que discutia o que era ser um super-herói foram criadas por Grant Morrison( os outros grandes autores discutirei nos  próximos artigos).
        Grant Morrison é um dos principais escritores atuais de quadrinhos, responsável pela reformulação atual das histórias do Batman e do Superman e com influência em todos os setores de quadrinhos de super- heróis. Durante o período que esteve na Marvel seus quadrinhos dos X-men que fizeram Joss Sheldon ( na época roteirista de Buffy, a Caça Vampiros) voltar a se interessar pelos heróis mutantes. Anos depois o primeiro trabalho de Joss na Marvel seria justamente nos X-Men, onde fez estrondoso sucesso, até se destacar cada vez mais na editora e se tornar o roteirista do filme dos Vingadores e do seriado The Marvel's Agents of Shield!.
Retornando a Grant, ele escreveu "Superdeuses "um livro onde faz uma revisão de toda a história de quadrinhos de super-heróis, desde uma análise detalhada das primeiras histórias do Superman e do Batman ( os primogênitos do mundo dos super-heróis) até toda a evolução tanto das histórias quanto do mercado e da estrutura sociopolítica mundial que influenciou cada era. Eis aqui algumas curiosidades que o livro aprofunda:

Anos 40: a gênese do gênero super heróis  com o Superman e Batman, com uma onda baseada em heróis inspirados nestes ou em oposição direta. Com a segunda guerra mundial a maioria das história se voltam na luta contra o Eixo.

Anos 50: Queda dos quadrinhos dependentes da guerra e proliferação de variados gêneros de quadrinhos, do romance ao terror, com raros heróis resistindo

Anos 60: Aprofundamento da personalidade e das relações familiares dos super-heróis junto com a proliferação da ficção científica da guerra fria , onde se originam tanto a Liga da Justiça quanto os heróis que se juntariam para formar Os Vingadores!

Anos 70: As manifestações anti-guerra junto com o apogeu da corrida espacial, nos quadrinhos a ficção científica dá origem as grandes sagas cósmicas e os lado  dramático é usado como questionamentos dos problemas sociais americanos

Anos 80: No final da guerra, fria, nesse período de reflexão sobre tudo que foi acumulados  nas últimas décadas, temos o clima de violência urbana mesclado ao questionamento sociopolítico profundo em obras como cavaleiros das trevas e Watchmen, que redefinirão os quadrinho.

Anos 90: Na era da monopolaridade e do início da internet, os anos anteriores resultam no processo de morte e ressurreição de diversos personagens. muitos tentando se remodelar pra nova era tecnológica que está chegando, com o surgimento da Image Comics a partir dos principais artistas da DC e da Marvel que surgiram nos anos 90.

A partir do anos 2000: Na era digital da liberdade cada vez maior de informação os gibis e buscando cada vez novas formas de interagir com a imaginação humana, com várias experimentações.

Cada era foi devidamente esmiuçada pelo autor, ficando mais auto-biográfico a medida que o texto passa, começando com algumas pinceladas do contato Grant com quadrinhos até ter um capítulo falando de toda sua experiência como escritor.
Claro que uma obra desse tamanho traria polêmicas, não apenas entre historiadores dos quadrinhos sobre alguns detalhes da obra. Entre essas polêmicas, uma que despertou grande interesse: a forma como abordou a questão das brigas dos direitos autorais entre o criadores do Superman e a empresa DC Comics. Grant Morrison se focal na  falta de tino comercial dos autores e mas não comenta nada sobre as várias acusações (algumas bem fundamentadas outras não) de abuso de poder e roubo intelectual das grandes empresas de quadrinhos . Uma questão complexa, pois Grant trabalha na DC Comics e, como tal, não poderia fazer uma crítica aberta contra a própria empresa onde trabalha.
     Mesmo com essas polêmicas(existentes em qualquer obra do gênero) "Superdeuses" continua sendo uma das mais completas obras sobre a evolução dos quadrinhos de super-heróis e seus bastidores existente no mercado brasileiro, não se referindo apenas a um único autor ou período , mas abrangido tudo e com dados extremamente recentes do mercado editorial unidos a uma reflexão profunda sobre a importância dos heróis para a mente humana.

Fotos: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=30182439